terça-feira, 21 de março de 2017

Bom Dia, Sr. Mandela

Resenha do livro Bom dia, Sr. Mandela



A África do Sul viveu período muito conturbado com a Política do Apartheid, política de segregação racial onde a minoria branca era quem mandava em um país ne maioria negra. Por décadas os negros foram suprimidos de seus direitos básicos, apenas por serem negros.

Em 1964, um dos líderes do MK, a chamada Ala Militar do CNA (Congresso Nacional Africano), foi julgado e condenado. Seu nome: Nelson Mandela.

Oito anos depois nascia Zelda la Grange, a pessoa que seria sua secretária particular, uma das mais leais e devotadas.

Diferente de muitos livros biográficos, este não conta a história de Nelson Mandela, desde que ele nasceu até sua morte, mas o que ele significou na vida de Zelda La Grande e, por conseguinte, ela para Nelson Mandela, a quem chamava de Madiba ou, simplesmente, Khulu (avô).

A autora narra como ela era ainda no Regime Apartheid, os poucos contatos que tinha com pessoas negras, quando começou a trabalhar como secretária para o Governo.

Em 1990 Nelson Mandela e alguns de seus companheiros foram libertos da prisão e com isso vinha também o fim do Apartheid. Quatro anos depois houve a primeira eleição democrática, quando Nelson Mandela foi eleito Presidente da África do Sul.

Foi nesse período que Zelda fez um concurso interno para datilógrafa e foi trabalhar no Gabinete do Presidente.

A partir daí a vida de ambos começaram a mudar.

Enquanto ele foi vivo ela esteve sempre do seu lado para auxiliá-lo e que ele conseguisse tudo o que queria.

Livros nesse sentido costumam ser bem problemáticos, porque é uma visão particular de toda uma situação. Não é uma narração impessoal, ou pelo menos tenta ser, mas vale lembrar que é a biografia de alguém que viveu por um longo período com um estadista do naipe de Nelson Mandela. Inclusive, Zelda teve vários embates com a família de Madiba, justamente por sua grande proximidade.

De qualquer forma é uma leitura que eu recomendo, porque tem muita história boa a ser contada, de um período que conhecemos apenas superficialmente, não só a oficial, mas, principalmente a parte que envolve o ser humano Nelson Mandela.



Antonio Henrique Fernandes
Capitão deste Navio Errante


segunda-feira, 20 de março de 2017

Kong - A Ilha da Caveira

Kong – A Ilha da Caveira





Sinopse – 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Dois aviões, um americano e outro japonês, são abatidos em pleno combate aéreo. Os pilotos sobrevivem, chegando a uma ilha desconhecida no Pacífico Sul. Lá eles dão continuidade à batalha, sendo surpreendidos pela aparição de um macaco gigante: Kong. Em 1973, Bill Randa (John Goodman) tenta obter junto a um político norte-americano a verba necessária para bancar uma expedição à tal ilha perdida. Ele acredita que lá existam monstros, mas precisa de provas concretas. Após obter a quantia, ele coordena uma expedição que reúne militares, liderados pelo coronel Preston Packard (Samuel L. Jackson), o rastreador James Conrad (Tom Hiddleston) e a fotógrafa Mason Weaver (Brie Larson).

Trailer –



Esqueça o que você já viu sobre um gorila gigante. Perto desse Kong, o outro é filhotinho, pois em matéria de ferocidade e tamanho, nada supera o Kong deste filme.

Bill Randa interpretado por John Goodman

Bill Randa convence um senador a bancar uma expedição até uma ilha que ninguém havia visto antes. Nunca tinha aparecido no mapa e, considerando a época que se passa o filme, durante a guerra fria, eles conseguem a expedição, em pleno final da Guerra do Vietnã, onde uma equipe de soldados comandada pelo experiente Coronel Packard. completam a equipe o seu sócio, uma bióloga, o ex-militar e rastreador Conrad e a fotógrafa Mason e mais alguns cientistas.

Conrad e Mason
O problema começa quando chegam a tal ilha esquecida. A tal expedição científica não era exatamente o que se esperava e o local se torna um zoológico de monstros enormes. E na ilha encontram um piloto americano que caiu na ilha durante a Segunda Guerra Mundial que os ajuda a tentar sair da ilha, porque depois que eles chegam, logo no primeiro contato com Kong a expedição já corre perigo de ficar por ali mesmo, para sempre.

Em meio a disputas de poder, os expedicionários tentam chegar ao local de resgate. O caminho é árduo e cheio de perigos.



Na ilha há uma tribo que vive isolada, se protegendo, e guardando a história de Kong, que para eles é um rei e um deus.

À primeira vista é de se pensar que o filme seja um prequel do primeiro King Kong, no entanto, sabemos que a primeira versão se passa nos anos 20 e essa nos anos 70, além de que o Kong deste filme supera em muito o primeiro. Provavelmente uma tentativa de fazer algo diferente dentro de um monstro já conhecido pelo público.

deve dar medo você olhar e ver uma marca de mão ensanguentada deste tamanho
Cabe ao público decidir, entre tantos monstros (o homem incluído) quem é o herói e quem é o vilão.

Ilha da Caveira. Por que será?

Os efeitos estão muito bem feitos e a história se sustenta dentro do se pretende, que é informar ou não sobre os perigos existentes na Ilha da Caveira para o resto do mundo. Talvez certas coisas devessem permanecer quietas.

Boa diversão.


Antonio Henrique Fernandes

Capitão deste Navio Errante

quarta-feira, 15 de março de 2017

VIAGEM LITERÁRIA - Conto A Serpente Marinha - Lendas Marinhas

A Serpente Marinha






Por Antonio Henrique Fernandes


Olsen gostava de navegar e essa paixão pelo mar foi transferida para seu filho Steffensen, que o acompanhava algumas vezes. Sempre que podiam saiam em viagens pequenas nas proximidades de seu país, navegando pelo Mar do Norte ou pelo Mar Báltico, utilizando o seu veleiro.

Tradicionalmente, sua família era de pescadores e tinham uma grande empresa de pesca., onde o produto normalmente eram o atum e o bacalhau. Ficaram ricos trabalhando muito e duro.

Desta vez, com a chegada do verão e a chegada das férias, a intenção era de passar mais tempo em águas salgadas mais mornas, abaixo do Hemisfério Norte. Visitar climas mais tropicais.

Era uma ideia boa essa de Olsen, quando planejou essa viagem, meses antes, e não só iria com seu filho Steffensen, levaria também a esposa Iven e a outra filha, Nika. Todos gostavam de navegar, mas o filho mais velho era quem tinha mais experiência, além do pai.

Assim, se prepararam, colocaram todo o mantimento que iriam precisar, até a primeira parada, muito provavelmente em alguma cidade litorânea de Portugal, além de preparar todo o equipamento a ser utilizado na viagem dentro do veleiro.

Os primeiros dias foram muito agradáveis, e logo chegaram a aguas mais mornas, céu azul e sol forte. Praticamente um cruzeiro. O objetivo era atingir a alguma ilha no Caribe e passar dias de sol praia com águas quentes, até porque onde moravam o clima mais quente era novidade. Mesmo no verão, a Noruega não era um lugar muito quente.
Como programado, chegaram a uma das ilhas do Caribe e aportaram e, sendo o local um resort, passaram alguns dias bastante alegres de muito sol e praia quente e areias brancas.

A visão de uma tempestade se aproximando fez com a viagem de volta da família fosse adiada em alguns dias a mais, afinal, não seria muito prudente pegar essa tempestade em alto mar.

E realmente a tempestade foi muito grande, com ventos fortes e ondas altas, um sonho para qualquer surfista, mas ainda assim perigosamente fatal.

Quando a tempestade foi e levou sua fúria, Olsen e sua família seguiram viagem de volta para a Noruega. Depois da tempestade pegaram vários dias de muito sol e mar tranquilo. Fizeram a coisa certa ao esperar mais um pouco, mesmo que tenha custado um pouco mais de suas reservas.

No meio do caminho passaram a algumas milhas náuticas de um navio mercante e quando Olsen pegou o rádio para se comunicar e trocar informações, muitas vezes preciosas, algo que viu deixou o rádio entre o suporte e a sua boca.

Inicialmente pensou tratar-se de uma baleia, algo até mesmo normal por aquelas águas, até que viu o dorso acima da água e a cabeça do bicho acima, e definitivamente não era uma baleia. Era algo que só vira em livros de fábulas e antigas histórias de pescador. E se alguém tinha visto antes, muito provável que não tenha sobrevivido ao ataque.

Olsen e sua família se assustarem ao ver o tamanho da fera que atacava o navio, parecia um dragão, mas Olsen sabia do que se tratava de uma serpente marinha. Uma enorme, feroz e ao que parece, bem faminta serpente marinha.

Mesmo distante, o barulho do navio sendo esmagado pela serpente era horrível. Metal sendo retorcido. E tinham certeza de acima disso ainda ouvirem dezenas de vozes gritando por socorro.

Ao mesmo tempo, ouviram também o pedido universal de socorro vindo do rádio, mas nada podiam fazer. Nada poderia ajudar aquelas pobres almas, a não ser um navio de guerra, no entanto não havia nenhum ali, apenas um veleiro com quatro tripulantes.

Não demoraram muito para vissem o navio ser completamente engolido pelas águas salgadas, todo enrodilhado pela serpente. Minutos depois era como se o navio nunca tivesse existido.

Rezando para que a fera oceânica se abastasse com o navio, Olsen seguiu viagem com a sua família, pois não tinha muito o que fazer.

fim



terça-feira, 14 de março de 2017

Cidade dos Étereos - Livro II da Série O Orfanato da Senhorita Peregrine para Crianças Peculiares.

Resenha do livro Cidade dos Etéreos – livro II da série O Orfanato da Senhorita Peregrine para Crianças Peculiares.




Para você que não leu o primeiro livro, pode aparecer aqui algum spoiler, mas, tentarei evita-los.

Agora, eram 10 crianças, que ao invés de ficarem quietos e esperarem o seu destino, foram atrás do seu destino. Precisavam conseguir libertar alguma ymbryne para que sua amada Alma Peregrine pudesse voltar à forma humana, pois estava com uma asa quebrada e passou muito tempo na forma de pássaro. Precisava com urgência de outra ymbryne para que voltasse ao normal.

Lembrando que os acólitos haviam aprisionado praticamente todas as ymbrynes e destruído praticamente todas as fendas temporais. No entanto, ainda haviam fendas a serem descobertas e é aí que entra Millard. Com todo o seu conhecimento, analisando os contos peculiares, ele descobriu que nem todo os contos eram fictícios e que poderiam ser a chave para novas fendas.

Presos na época da Segunda Guerra Mundial, eles só têm uma direção: Londres e de lá tentar achar alguma fenda.

O caminho é duro, encontram tanto outras crianças peculiares quanto acólitos e etéreos.

Em uma dessas fendas, um local que estava em um dos contos peculiares, eles encontram um cachorro peculiar, Addison e outros de aparência bem exótica, por exemplo a Jumirafa, que seria uma jumenta com duas patas e um pescoço longo como uma girafa.

Mas tudo muda quando eles conseguem entrar em contato com a Senhorita Wren, da mesma fenda temporal onde moram Addison e os seus amigos. Agora era possível reverter a Senhorita Peregrine de pássaro para o seu corpo humano. No entanto, ao final da transformação eles terão uma surpresa inesperada e isso muda todos os seus planos.

A descoberta também de que os acólitos estão roubando almas ou pedaços de almas de peculiares assusta a todos.

Se você já leu o primeiro, sabe que os acólitos precisam das ymbrynes para conseguirem realizar o seu plano diabólico de se transformarem em deuses. E agora mais do que nunca eles estão muito perto de conseguir isso.

Ainda que pegos de surpresas, as crianças, junto com Jake e Emma, conseguem fugir e tendo que tomar uma decisão muito importante... para salvar todos os que amam, precisam invadir o território inimigo!

Um livro cheio de ação, personagens deliciosos, muitas crianças peculiares que o leitor não tem noção do que fazem, e reviravoltas dignas de livros de suspense. Isso só faz você querer ler o terceiro e último livro (o que fiz com certa voracidade).

Jake continua lidando com os seus sentimentos em relação a Emma, e esta por sua vez tenta diluir se o que sente por Jake é o mesmo que sentia pelo seu avô ou é um sentimento novo. E no meio de tudo isso, Jake acaba descobrindo que seus poderes não são apenas ver os etéreos... vai muito mais além.

Imperdível!


Antonio Henrique Fernandes

Capitão desta Navio Errante.

quarta-feira, 8 de março de 2017

VIAGEM LITERÁRIA - Conto Do outro Lado - 1a Parte - Lendas Marinhas

Do outro lado. 1ª parte


Continuação do conto May Day! May Day! May Day!





Por Antonio Henrique Fernandes



Após o clarão passar, tudo o que conseguiram ver foi uma imensa terra à frente. A faixa litorânea ficara para trás, e não entendiam o motivo. Não era para ter terra no percurso. Não tão cedo, pelo menos.

O Capitão Enrico olhou os instrumentos à sua frente e não conseguiu entender nada. Não estavam funcionando como devia. O GPS não indicava com exatidão onde estavam. Algumas vezes ele teve que dar umas pequenas batidas no painel.

Testou o rádio para se comunicar com os demais pilotos. Ainda tinha estática, mas quando ouviu a Tenente Silvana respondeu ao seu comando ficou mais aliviado.

— Capitão? O painel de controle de seu cockpit está funcionando? — Perguntou Silvana.

— Não. Ou pelo menos não funciona como deveria... alguns dados aqui estão malucos. O GPS aparentemente não está funcionando. Essas coordenadas não existem.

Para dar um bônus ao que estavam passando, o sinal de que o combustível estava no fim começou a piscar, deixando o capitão preocupado. O que tinham dava para ir e voltar tranquilo para a Base Aérea. Não entendia como poderia estar acabando. Não tinham ido muito além.

Mas quando prestou atenção à terra que estava na frente não conseguia reconhecer.

Abaixo dos pilotos havia uma terra enorme, com montes e uma floresta densa. Poderiam jurar que estavam sobrevoando a Amazônia ou qualquer mata tropical, o que não fazia sentido algum, pois sobrevoavam o Oceano Atlântico há alguns minutos. E na rota deles não havia terra.

Mas o pior de tudo... não havia onde pousar os aviões. Tudo era floresta e montes. Não havia um terreno apropriado. Como poderiam descer sem algum tipo de risco para os pilotos?

— Senhor? À sua direita, tem o que parece ser uma clareira, acho que dá para a gente aterrissar com os aviões com alguma segurança. — Disse o 2º Tenente Paiva, um dos novatos.

— Muito bem. Todos naquela direção, vamos primeiro dar uma passada por cima e ver se realmente tem condições de nós descermos com segurança. Depois em fila indiana, um a um desce.

E foi exatamente o que fizeram. Deram um panorama pelo local e após verificarem que tinha espaço suficiente para descerem todos, voltaram em fila indiana e pousaram seus aviões.

A maior preocupação agora era saber onde estavam, e, claro, depois conseguir voltar para casa.

O capitão Enrico foi o primeiro a sair do avião. Tirou o capacete, colocou de lado e saiu do cockpit, fazendo as primeiras explorações do ambiente. Silvana saiu de sua aeronave e foi até o capitão.

— O que o senhor acha, Capitão? Tem alguma ideia do que aconteceu?

Enrico colocou as mãos na cintura, deu uma breve olhada ao redor, e, balançando a cabeça negativamente, respondeu:

— Ainda preciso fazer uma análise da situação, mas algo me diz que não estamos onde deveríamos estar. Aquele clarão nos tirou da rota, no entanto, para onde? O GPS do avião não soube indicar a nossa localização. E dê uma olhada nessas árvores e plantas. Nunca vi nada parecido.

— Eu também não. E dando uma vista geral pelo alto antes de a gente descer, não vi sinal de cidades. Ou algo que se pareça com civilização. Nem ao menos uma aldeia. Já que claramente estamos em uma floresta, deve ou deveria ter uma vila

— Concordo com você, Silvana. Veja ali, tem um monte, vamos todos até lá e fazer um acampamento provisório. Lá também teremos uma noção para onde ir. Cada um de vocês, pegue o kit de sobrevivência que temos no cockpit e vamos partir, dentro de no máximo dez minutos. Aquele sol baixando ali não me alegra. Em ambiente como este, desconhecido e provavelmente hostil, não é bom que estejamos sem alguma defesa, mais ainda no escuro.

Imediatamente os pilotos foram até suas aeronaves e pegaram os kits, depois seguiram o capitão até o monte que ele havia indicado.

Pelo caminho, foram tentando absorver o que tinha acontecido a eles, mas ninguém chegou a uma explicação plausível. Tudo o que sabiam na certeza era que aquela terra não deveria estar ali. O ar estava um pouco ácido, mas nada que pudesse causar algum mal na respiração.

As árvores que passaram eram altas, de troncos grossos. As folhas eram imensas. Uma das preocupações do capitão era encontrar água potável. Isso era essencial se quisessem sobreviver, mesmo em um local desconhecido.

Com uma pequena faca, Enrico, líder do esquadrão, foi passando e abrindo caminho entre as plantas. Em determinando momento, a floresta ficou tão fechada que nem o sol já conseguiam enxergar. E ficou escuro a ponto de ter que usar uma lanterna. Ainda bem que tinha no kit. Enrico também notou que antes silenciosa, a floresta começava a produzir os seus barulhos normais. Pássaros noturnos, pequenos silvos e gritos. Até então não ouviram nada que os alarmasse, como um rugido, por exemplo.

A pior coisa, pensou Enrico, era não ter uma arma de fogo para poder se defender. A única pistola que tinha no kit era a de sinalização e ele tinha certeza que não iria ser útil ali. Era algo que gritava por dentro. E a cada passo que dava naquela terra estranha era que não existia nos mapas.

— Capitão? — Chamou o 2º Tenente Soares, um dos pilotos novatos.

— Diga tenente. — Respondeu Enrico.

— Não sei se o senhor ouviu, mas bem à nossa esquerda eu ouvi um barulho como algo se arrastando. Não sei bem o que pode ter sido, mas foi muito desagradável e senti o pelo da nuca arrepiar.

Antes que terminasse de falar, Enrico olhou para trás do piloto e arregalou os olhos. O que ele viu não deveria existir. Uma cobra. Mas uma cobra gigantesca. Devia ter uns 15 ou 20 metros mais ou menos e antes que pudessem fazer alguma coisa a cobra já foi agarrando um dos pilotos, o 2º Tenente Elias, que era o que estava mais próximo.  O grito que ele deu foi horrível e assim que a cobra, com ele na boca, voltou para a floresta tudo se aquietou.

— Não podemos mais fazer nada pelo pobre Elias, então vamos depressa para cima, para aquele monte. E precisamos montar um esquema de segurança.

Com as lanternas na mão, correram o mais depressa que conseguiram. Assim que chegaram ao monte, fizeram uma revista rápida, à procura de uma caverna ou gruta, que seria ideal para passar à noite.

De qualquer forma, se fossem obrigados a dormir ali mesmo teriam que fazer uma grande fogueira e montar turnos de guarda. Não sabiam o que poderia haver naquela floresta. E se tudo fosse grande como aquela cobra, estariam em grandes apuros.

Como esperado, não encontraram um local melhor para se proteger, acenderam uma fogueira e fizeram uma escala de turnos, onde o Capitão Enrico seria o primeiro, seguido por Silvana. Todos ficaram com as facas na mão, prevendo que algo ruim pudesse acontecer e já estariam preparados. Se acomodaram como puderam e tentaram dormir. O dia foi longo e estranho. 

Esperavam que o dia seguinte fosse menos dramático.

..continua


terça-feira, 7 de março de 2017

O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares

Resenha do livro O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares de Ranson Riggs





Imagine um mundo onde houvesse crianças e adultos com alguns traços e poderes um tanto ... peculiares! Seria bem diferente não é mesmo?

Jacob tem um tio, chamado Abrahan, mais conhecido pelo seu apelido, Abe, que sempre lhe contou histórias. O garoto adorava essas histórias, e para completar, como se fosse uma complementação dessas histórias ele ainda mostrava algumas fotos. Para um menino crescendo isso era fantástico, mas Jacob não podia saber que não eram apenas histórias inventadas pelo seu amado avô, e quando este veio a perder a vida, tendo Jacob presenciado o assassinato, aliás, único a ver o assassino, algo inimaginável, as coisas começam a mudar.

Jake tenta entender o que eram as histórias, fotos e cartas que seu avô guardava, e, mesmo tendo dificuldades em fazer seus pais entenderem o que estava passando, ele consegue ir até uma remota ilha no Reino Unido e tenta achar um lugar, que está escondido.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A Grande Muralha.

A Grande Muralha.



Sinopse – No século XV, William (Matt Damon) e Tovar (Pedro Pascal) são dois mercenários em busca de “pó negro” (pólvora). Depois de escaparem do ataque de uma criatura misteriosa, eles se encontram, acidentalmente, aos pés da Grande Muralha. Lá, eles acabam aprisionados pelos guerreiros chineses, que estão na iminência de sofrerem um ataque. Reza a lenda que, a cada 60 anos, uma horda de monstros tenta transpassar a barreira, para se alimentar dos humanos que vivem do outro lado.


Trailer – 



Difícil ter alguém em alguma parte do mundo que não tenha ouvido falar da Grande Muralha da China. Está em livros de histórias, livros de ficção e filmes.

E é claro que nesse tipo de história há muitas lendas envolvidas. E é justamente uma dessas lendas (pesquise e irá encontrar muitas lendas na China) que é o tema deste filme que, embora seja todo chinês, tem personagens ocidentais e é falado parte em inglês e parte em chinês (ou mandarim, não conheço a língua, portanto, não sei como definir).



Dois aventureiros ocidentais, Willian e Tovar, estão com outros ocidentais na China, e o objetivo deles é encontrar algo que até então eles só tinham ouvido histórias: o pó negro.  Fugindo de bandoleiros, apenas Willian e Tovar escapam, se escondendo dentro de uma gruta, onde acabam encontrando uma coisa que não é deste mundo. Conseguem escapar, mas logo em seguida, ainda em fuga, deparam com uma enorme muralha e vários soldados chineses. Entre eles uma comandante, Lin.



Lá dentro eles tomam conhecimento que o que mataram na gruta aparece de 60 em 60 anos são uns monstros que querem destruir tudo o que tem pelo caminho. E o que impede essas criaturas é justamente essa Grande Muralha.

Dividido entre encontrar o pó negro e fugir com seu amigo Tovar e ficar e ajudar os chineses, Willian parece escolher o óbvio. Depois que mostrou seu valor como guerreiro, Willian tinha dois caminhos, ir ou ficar. Vocês devem estar imaginando o que ele decidiu (ou não).


É um filme clichê, mas em se tratando de um filme oriental, eu gostei bastante. Tem muita luta, os efeitos especiais são bons. O problema é que não ficou só no mercado oriental. Essa produção quis atravessar as muralhas (desculpe o trocadinho) da fronteira internacional, e para isso contratou o ator Matt Damon, o ator Pedro Pascal (que faz o Tovar) e até mesmo o conhecidíssimo Willen Dafoe, que interpreta um ocidental que está nas muralhas há 25 anos.

Como muitos filmes orientais, que focam mais as lendas chinesas, este também focou em uma dessas lendas, utilizando a Grande Muralha.

Há uma grande polêmica atual sobre o chamado Whiteshaving, que na tradução em termos de cinema seria embranquecer os personagens principais. Em se tratando de filme oriental é evidente que os personagens principais deveriam ser orientais. Mas acredito que ao menos foi bem introduzido na trama, não estava lá ao léu. Eles tinham o motivo de estarem lá na China. Agora, o fato e ser o herói. Bem, isso é evidente, senão não teriam contratado um ator de renome e que vende ingresso.

A despeito de toda essa polêmica, o filme foi bem feito, os efeitos foram bons e as lutas bem coreografadas.


Antonio Henrique Fernandes
Capitão deste Navio Errante



quarta-feira, 1 de março de 2017

VIAGEM LITERÁRIA - Conto Caminho para um continente perdido - Lendas Marinhas

Caminho para um continente perdido.




Por Antonio Henrique Fernandes


Amanhecia, quando o casal de mergulhadores saiu com o barco para mais um dia de mergulhos. Sandro e Patrícia faziam isso há muitos anos e ambos amavam o que faziam. E foi mergulhando que conheceram várias partes do mundo.  E conheciam outros apaixonados pelo mergulho profundo, não aqueles em que se mergulha a poucos metros do fundo, mas vários metros abaixo, e gostavam principalmente de conhecer grutas ou cavernas submarinas.

Sandro tinha 35 anos e Patrícia 30 e se conheceram mergulhando em Fernando de Noronha, onde tudo começou, a paixão um pelo outro e pelo esporte.

O equipamento que usavam era de grandes profundidades e sempre mergulhavam com dois cilindros de oxigênio, o que duplicava o tempo embaixo d’água. E mantinham mais quatro no barco. E justamente por conta do equipamento, eles não entravam em lugares muito apertados, caso contrário não conseguiriam sair ou pior, danificariam o equipamento, o que pode resultar até mesmo na morte de um deles. E tomavam muito cuidado. Era a vida deles, mas não perderam a sua preciosa vida por nenhum descuido.
Agora estavam em uma pequena enseada, no Mar Mediterrâneo, praticamente onde fazia fronteira com o Oceano Atlântico. Era um lugar muito bonito, cheio de peixes ornamentais e um fundo com recifes de corais. A vida marinha sempre fascinara o casal. Claro que havia problemas, como bater de frente com um tubarão, mas eles tomavam cuidado e não mergulhavam em lugares perigosos, onde se costuma ter peixes agressivos demais.

E de qualquer maneira, o tubarão só ataca se estiver faminto ou for agredido. Como qualquer animal.

O local era conhecido pelos amantes do mergulho por ser fundo e ter várias cavernas marinhas, e Sandro e Patrícia ainda não tinham visitado o lugar.

Planejaram por seis meses e agora estavam prontos para começar o seu passeio profundo.

Checaram várias vezes o equipamento e quando estavam prontos, fizeram o famoso sinal de positivo, com o polegar para cima e mergulharam.

A água era muito limpa, e havia muitos peixes bonitos, mais ainda do que aqueles que se vê nos aquários ao redor do mundo. Tinha peixe de todo tipo, pequenos, médios e até alguns e grande porte, mas nenhum que pudesse oferecer algum tipo de perigo aos dois.

Pelas indicações que receberam e pelo “mapa” que fizeram, logo avistaram a primeira gruta. Foram em direção a ela e entraram.

Era espaçosa e iluminada, o que significava que mais à frente tinha uma abertura, ou melhor dizendo, um poço natural. Foram adiante e logo encontraram o poço, tiraram o respirador e a máscara e ficaram boiando, curtindo a beleza natural da gruta. Não dava para ver de onde a luz chegava, mas causava um efeito muito bonito, dando vários tons de azul da parede ao teto. Enfim, era um respiradouro natural. Logo recolocaram o equipamento e voltaram.

A gruta era pequena e isso só aumentou o apetite de Sandro e Patrícia. Queriam mais. E tiveram. Um pouco mais à esquerda o casal viu mais uma abertura subterrânea. Entraram e nadaram mais ou menos uns cinquenta metros, e esse era mais escuro, precisando usar as lanternas submarinas.

Como sempre se faz nesse tipo de mergulho, ao chegarem na entrada da gruta ou caverna, eles lançam mão de uma espécie de corda, ou novelo, para que não se percam quando entram, pois, o interior pode ter várias passagens, e o ar não dura para sempre. Uma medida inteligente e que realmente protege. Qualquer semelhança com o famoso e lendário Labirinto de Minos não é mera coincidência.

No final, a gruta se revelou sem saída, com um enorme paredão fechando tudo. Tiraram algumas fotos de peixes e corais que encontraram e voltaram para a saída.
Ainda tinha pelo menos umas duas ou três aberturas para visitar, conforme tinham feito em seu mapa. No total, havia seis cavernas, e já tinham ido em duas.

Desta vez só iam em mais uma e depois retornariam ao barco, para descansar, hidratar e se alimentar. Trocariam o equipamento e voltariam para desbravar os demais.

A terceira gruta também se revelou pequena e sem muitos atrativos. Voltaram ao barco e fizeram o que tinham planejado. Nisso tudo há haviam gastado quase umas duas horas e se as outras fossem maior precisariam de mais tempo e ser mais rápido. Não seria prudente mergulhar no escuro.

Trocaram os equipamentos e comeram alguma coisa rápida e logo estavam novamente na água.

Entraram na primeira e já ficaram animados, parecia promissora. Bem grande e a vida marinha em seu interior era bem ativa. Viram muitos corais e peixes coloridos, mas à medida que iam mais adentro ia ficando mais escuro e os peixes diminuindo.

Com a cordinha amarrada, não se preocuparam em dar várias voltas. Até que Sandro observou algo que chamou sua atenção, talvez um peixe e quando olhou com mais atenção viu que havia uma outra saliência e abertura em seu lado direito, sinalizando para Patrícia o que tinha visto e que ia entrar. Patrícia tirou mais um novelo e amarrou na entrada dessa abertura, viram que tinha espaço suficiente para ambos, e munidos das lanternas e câmeras fotográficas foram em frente.

A agua ali estava mais fria e tudo estava muito escuro. Estranhamente perceberam que a vida marinha ali quase não existia. Só paredes de pedra. Até que depois de um certo ponto a água já não estava mais tão fria. Estava... esquentando?

O mais curioso foi que ao longo das paredes começaram a ver com as lanternas alguns símbolos estranhos, como se fossem marcadores, mas nunca em toda a sua vida, nem Sandro e nem Patrícia viram algo parecido.

Pareciam círculos concêntricos, na realidade, três círculos. E estavam muito perfeitos. Como a curiosidade sempre foi muito forte no casal, seguiram o que poderia muito bem ser um corredor, com paredes muito bem lisas e simétricas, e que não deveria estar ali. E sem perceber, as paredes desciam, quase que imperceptivelmente. Eles não perceberam, mas estavam descendo mais fundo.

Até que chegaram a uma confluência. E tiveram que tomar a decisão mais difícil da vida. Os novelos acabaram. Para seguir teriam que confiar nos instintos e na memória, ou então voltariam. Sandro verificou os equipamentos e quanto ainda tinham de oxigênio. Ainda tinham o suficiente, mas se chegassem a um ponto onde não daria mais para continuar, retornariam. Sem chance de negociação.

Por fim decidiram continuar. Nunca tinham visto aquilo e a curiosidade era muito grande. Iluminando a confluência, verificaram onde ainda tinham as estranhas marcas e nadaram na mesma direção.

Mais uns vinte metros adiante viram que agora o caminho subia. Olharam para cima e viram luz. Seria um novo poço? E estava bem iluminado.

Começaram a subir.

O que viram era fantástico.

Não era uma caverna... era algo muito maior. Gigantesco para ser mais exato. E tudo muito iluminado.

Sandro e Patrícia haviam chegado a uma cidade subterrânea.  Havia casas, torres, praças e muitas estátuas.

No início achavam que tudo estava abandonado e que tinham encontrado um tesouro, mas a coisa era mais impressionante ainda. Havia pessoas...

Eles deixaram os equipamentos fora do poço que alargava em sua entrada e saíram andando. Apenas usando a roupa de mergulho. As pessoas que viram estavam tímidas, como se nunca tivessem visto um homem ou mulher na vida, o que seria no mínimo incongruente, já que eram tão humanas quanto o casal que ali chegava.

Tentaram se comunicar, mas ou não queriam conversar ou não entendiam o que estavam falando. Tentaram então a língua inglesa, mas também não dera muito certo. Até que um homem, de porte elegante, cabelos grisalhos e barba longa, também grisalha, portando um cajado do qual em sua ponta apareciam a mesma imagem que viram no caminho: três círculos concêntricos. Se aproximou e levantou a mão para cima, em sinal de paz.

Tentaram se comunicar com o velho, que parecia ser o líder do lugar, inclusive usando gestos, mas era complicado.

Até que o velho fez um aceno para um dos que estavam presentes, que se aproximou e ouviu falar em seu ouvido. Imediatamente saiu correndo.

Sandro e Patrícia ficaram sem entender nada e continuaram tentando se comunicar com as pessoas.

De repente ouviram alguém falar em inglês. Que maravilha. Agora poderiam ser entendidos.

Um jovem de aproximadamente 25 anos se aproximou e se identificou como Georgius. Estava usando uma túnica de cor azul e sandálias. Sandro perguntou onde estavam e o jovem respondeu que estavam em ATLÂNTIDA.

Atlântida!!

Tanto Sandro quanto Patrícia precisaram se segurar em alguma coisa para não cair, pois de repente ficaram zonzos com a declaração do jovem Georgius.

Como assim estavam em Atlântida, questionou Sandro. E Georgius, com paciência começou a explicar a história. Enquanto isso, convidou o casal para comer alguma coisa e descansar, e então dirigiram-se para a praça central do lugar.

O que eles tinham visto era apenas uma parte e pequena. Cruzaram um lago que fazia uma curva pelo lado esquerdo e pelo lado direito, com uma ponte, atravessaram e uns duzentos metros depois a mesma coisa, o lado que fazia curva para os dois lados e mais uma ponte. Não demorou muito e atravessaram outra ponte, com o lado igualzinho aos demais.

Subiram um monte onde ficava o que parecia ser um templo, em uma praça com várias estátuas. As pessoas seguiam o casal, por curiosidade.

Lá de cima, quando pararam e sentaram em um banco sombreado por uma árvore enorme, Patrícia reparou em uma coisa e falou para Sandro. Os lagos. Eles rodeavam o centro do lugar. Exatamente como o símbolo que usavam. Três círculos concêntricos. Três anéis de terra, ligados por uma ponte.

Georgius então começou a explicar que há pelo menos uns 3 mil anos houve um cataclismo, ocasionado pela ganância do ser humano, e isso fez com que Atlântida fosse jogado para o fundo do mar, em um grande terremoto seguido por maremoto. Um rei de outro país querendo o poder que Atlântida possuía os invadiu. Seria um massacre, pois, não haveria guerreiros. O país deles era de gente trabalhadora e cientistas. Não homens que buscam o poder pelas armas, mas sim, conhecimento.

Antes desse rei, viveram na paz por milênios e isso garantiu muitos estudos e muitas benesses para os habitantes do continente.

Sandro perguntou então como conseguiram sobreviver ao cataclismo e Georgius respondeu que foi puramente sorte. Havia um campo de força que usavam para evitar invasões em seu território e o Rei do outro país, que também tinham grande conhecimento, lançaram armas potentes capazes de tremer a terra, e quando começou o terremoto, os cientistas atlantes o acionaram imediatamente. Houve perdas sim, mas o ato rápido salvou milhares de vidas. Com o maremoto, a ilha onde estavam simplesmente rompeu com o fundo do mar e assim submergiu, vindo parar no fundo.

A sorte, continuou Georgius, era que o fundo não era tão profundo, mas mesmo assim foi o suficiente para soterrar. O que os salvou foi o campo de força, que até hoje funciona. No dia que parar de funcionar todos morrerão. E o conhecimento do campo é passado de pai para filho desde então. E está aí justamente o fato de Georgius saber inglês.

Ele foi escolhido dentre tantos jovens para sair do casulo onde se encontram e saber como estavam na superfície, se estavam evoluídos o suficiente. Ele estudou nos Estados Unidos com documentos apresentados como se fosse um continente conhecido atualmente, o que foi proporcionado por voluntários que haviam saído anos antes e que conheciam o mundo atual.

Georgius conheceu cientistas, obteve o conhecimento que precisava e retornou para sua casa.

Ele então perguntou como chegaram até ali, e Sandro contou que estavam mergulhando em uma caverna, coisa que fazem há anos e ele notou alguma coisa se movendo e percebeu uma pequena abertura, por onde ele e sua esposa entraram, até que encontraram o caminho identificado pelos círculos concêntricos e, por fim, ao poço que deu exatamente em Atlântida.

Tendo conhecido várias lendas em torno de Atlântida, Sandro perguntou se eles viraram sereias e esperava que alguém risse disso. No entanto, o que se seguiu foi o mais profundo silêncio. Foi quando percebeu em algumas pessoas umas marcas no pescoço e aí ele tomou um susto. Eram guelras. Então eles podiam respirar na água também, como peixes.

Georgius confirmou. Ele mesmo não tinha, porque foi muito jovem para os Estados Unidos, e sua preparação o obrigava a não ter o que seus companheiros tinham. Mas os demais, desde pequeno foram treinados e preparados para respirar no fundo do mar. Os cientistas trabalharam para modificar o DNA dos habitantes, e o jovem os lembrou que já respiramos água quando estamos dentro da barriga da mãe. Então é como uma lembrança que retorna. Só que com uma ajuda da ciência.

Provavelmente Sandro tinha visto algum jovem ou pescador voltando para casa e o seguiu. Não conseguiu ver nada porque eles tinham uma agilidade muito grande dentro da água.

Sandro e Patrícia foram levados para um grande passeio onde conheceram os lugares mais importantes, como o templo, o palácio do Rei, que os recebeu muito bem e os fez parecer como chefes de estado na superfície. Depois foram conhecer os cientistas que prontamente mostraram alguns dos objetos e maquinários que usavam. Entretanto, não foram conhecer como era o campo de força por que era um segredo muito bem guardado.

O casal ficou muito maravilhado com tudo o que viram, parecia que estavam em um filme de época, já que ali nada tinha de atual, apesar de alguns maquinários que fariam muito bem nos dias de hoje. Brincaram com crianças, que sempre curiosas, faziam festa.

Até que Georgius disse que eles tinham duas escolhas a partir deste momento. Eles não eram guerreiros e nem matavam ninguém sem motivo, então para não correrem riscos de que o seu santuário submarino fosse descoberto e novamente atacado por causa de suas maravilhas e seus conhecimentos científicos, os dois podiam escolher ficar e fazer parte do povo de Atlântida, ou ir embora, só que nesse caso a memória deles desse período seria apagada e não lembrariam de nada, nem mesmo do lugar por onde entraram. Isso serviria para proteção de todos, até mesmo de Sandro e Patrícia.

Deram um tempo para eles pensarem. E tudo foi pesado na balança. Seria magnifico ficar, mas não poderiam ir embora, não poderiam mais conhecer lugares para mergulhar, e tinham os parentes, pais, irmãos, amigos. Enfim, decidiram partir, mesmo que perdessem a memória desses maravilhosos momentos, que qualquer um daria a fortuna para passar.

Foram levados a uma sala, onde foram colocados aparelhos em suas cabeças e segundos depois foram colocados para dormir. Tiveram o cuidado de apagar somente o que passaram nas últimas horas e depois os mais fortes pegaram os equipamentos e junto com o casal, foram até o barco deles, depositando os equipamentos e os dois ainda desacordados. Viram que não havia ninguém, o que favorecia e foram embora.

Ao passarem pela fenda que levava ao caminho do poço e, claro, a Atlântida, esta fechou-se, simplesmente desaparecendo e ficando apenas a parede da caverna submarina.

Quando Sandro e Patrícia acordaram, não se recordaram de nada e só estranharam o fato de estarem dormindo. Provavelmente alguma coisa que comeram ou tomaram fez com que dormissem, ou então estavam tão cansados da aventura das cavernas que caíram exaustos... como o tempo estava escasso para um novo mergulho resolveram sair dali e voltar outro dia.

Só que nunca mais voltaram àquele lugar. Que perdeu-se na memória.


Fim